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Família diz que comerciante se matou com medo de ser despejado em Pinhalão


A possibilidade de ser despejado do seu imóvel onde vivia há 30 anos com a mãe de 82, pode ter levado o comerciante Luiz Carlos da Silva, 60, a tirar a própria vida em Pinhalão.

O corpo da vítima foi encontrado nesta quarta-feira (19), por volta das 8h30, boiando em um córrego que corta o perímetro urbano da cidade. Silva não era visto desde a noite de segunda-feira (17), depois de ter conversado com uma irmã e ter exposto o seu receio em perder os seus imóveis que ficam à margem do córrego, conquistados às custas de décadas de trabalho.

Para a família não há dúvida que Luiz da Silva se suicidou horas depois de ser notificado pela prefeitura de Pinhalão sobre a desapropriação de um terreno de aproximadamente três mil metros quadrados onde foram construídos a casa onde mora com a mãe, uma segunda moradia alugada e duas empresas de sua propriedade. Juntos, os imóveis estão avaliados pelo mercado imobiliário em R$ 600 mil.

A política de desapropriação criada pelo prefeito Claudinei Benetti (PSD) é justificada pelo projeto de construção de um lago e um parque ambiental naquela região. O problema é que as famílias que estão sendo desapropriadas reclamam que os seus imóveis estão sendo avaliados pela prefeitura por valores muito abaixo do que realmente valem.

No caso específico do comerciante Luiz da Silva, seu imóvel foi avaliado pelos técnicos da prefeitura por um quarto do valor real. Para sua família, a dúvida em aceitar apenas R$ 150 mil pela sua propriedade e o medo de ser despejado e não ter pra onde ir com a mãe, além de perder os negócios de suas empresas fez o comerciante decidir pelo ato extremo.

A irmã do comerciante, a autônoma Luzia da Silva, 52, contou que há pouco mais de 15 dias os moradores daquela região teriam sido informados sobre desapropriação de seus imóveis e que desde então seu irmão começou a apresentar transtornos por não concordar com as proposta, bem como com o valor estipulado para a indenização.

“Ele ficou desesperado. Achou que seria despejado a qualquer momento e já procurava um local para guardar os bens com medo de que tudo fosse colocado na rua. Na segunda-feira preparei o jantar e percebi que ele estava bastante transtornado por ter sido notificado naquela tarde por um funcionário da prefeitura, mas me garantiu que não havia assinado o documento onde concordava com a negociação. Na manhã de hoje fui informava sobre a morte de meu irmão. Estou desesperada. Ele se matou com medo de perder tudo”, disse a irmã bastante emocionada.

Luzia, por sua vez, foi obrigada a concordar com a indenização proposta pela prefeitura para sair da casa onde morava com a família, distante poucos metros da casa de Luiz Carlos. “Diziam que a melhor alternativa seria entregar a casa, que do contrário seríamos colocados na rua. Entregamos a casa por R$ 60 mil, bem abaixo do valor de mercado”, explicou.

Para a família, o comerciante tirou a própria vida ao pular da ponte sobre o córrego. O comerciante não sabia nadar. Luzia conta que o irmão era querido e não tinha inimizades, o que, na opinião deles, reforça a tese de suicídio.

A delegada responsável pelo caso, Silmara Revoredo Pereira, informou que já instaurou inquérito para investigar a morte do comerciante, mas que somente o resultado da perícia poderá dizer o que teria provocado a morte do trabalhador.

O prefeito de Pinhalão Claudinei Benetti foi procurado para comentar a sua política de desapropriação e as acusações dos moradores, mas através de sua assessoria, o político disse que não iria atender a reportagem, que também tentou um contato com a procuradoria-jurídica da prefeitura, mas o responsável pelo departamento não estava no local. (Redação: Luiz Guilherme Bannwart - Informe Policial)

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Postado por: Blog Congotícias
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