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Reflexão da Semana por Dom Manoel João Francisco


Reflexão da Semana: “Ecologia”

Dom Manoel João Francisco
Bispo da Diocese de Cornélio Procópio/PR

Faz parte da fé cristã afirmar que a natureza é obra de Deus e que os homens e as mulheres são responsáveis pelo cuidado desta mesma natureza. No entanto, em vez de assumir sua missão, o ser humano, tocado pelo pecado, tem feito o contrário. Centrados numa visão de desenvolvimento voltado para o crescimento ilimitado e tendo o lucro como principal objetivo, homens e mulheres têm sido causa de muitos desastres e hecatombes ecológicas, com o risco inclusive da extinção da vida sobre a terra.
A reflexão teológica há mais tempo tem chamado a atenção para esta possibilidade, denunciando que por traz de tudo está o mercado exacerbado que confunde felicidade com satisfação de desejos. Os desejos, no entanto, são insaciáveis. Quanto maior o desfrute, maiores os desejos de progresso e maior a ameaça de esgotamento da terra e de seus elementos fundamentais para a vida. Sob o jugo de tantas ameaças, a criação geme como que em dores de parto, na esperança pelo dia da libertação (Rm 8,18-23).
Iluminadas pela teologia, as Igrejas e suas lideranças maiores tem também levantado a voz, convocando seus fiéis à reflexão e à ação no que diz respeito à responsabilidade do ser humano diante da criação de Deus.
Pioneiro nesta causa tem sido o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla que já em 1989 instituiu o “Dia de Oração pela Salvaguarda da Criação" a ser celebrado no dia 1º de setembro de cada ano. O atual Patriarca, Bartolomeu I, definido pela imprensa internacional como “o Patriarca verde” em 2008 foi incluído pela revista Time entre as 100 pessoas mais influentes do planeta porque considera o cuidado pelo meio ambiente uma “responsabilidade espiritual”. No ano passado, numa conferência proferida na Holanda afirmou que “depois de duas guerras mundiais extremamente sangrentas, a terceira guerra mundial está atualmente em curso contra o ambiente natural”. Nesta mesma conferência afirmou também que “mesmo entendendo muito bem as conseqüências provocadas pela contínua destruição do ambiente que ameaça a sobrevivência da espécie humana e da vida do nosso planeta, continuamos agindo como se não nos déssemos conta desta ameaça. Terminou conclamando para “uma mudança radical de mentalidade, uma transformação espiritual da irresponsável atitude possessiva a uma ética da partilha e da responsabilidade”.
A Federação Luterana Mundial também tem se engajado fortemente nesta luta. Em 2008 expediu um questionário para saber a opinião dos fiéis sobre o tema. Das respostas que voltaram surgiram diversas atividades concretas nos programas das Igrejas em várias áreas vulneráveis da terra.
Na Igreja católica não é diferente. Aqui mesmo no Brasil várias Campanhas da Fraternidade têm se ocupado do tema. No próximo ano, por exemplo, a Campanha da Fraternidade que será ecumênica terá como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. Vai tratar especificamente do saneamento básico.
Ultimamente o Papa Francisco tem se ocupado das questões ambientais com muito ardor. O cuidado da casa comum é o tema de sua primeira encíclica, lançada no último mês de junho, oportunidade em que o Metropolita de Pérgamo, João Zizoulas, sugeriu que o Dia de Oração pela Salvaguarda da Criação fosse adotado também pelos católicos. O Papa Francisco acolheu a sugestão e agora, no dia 10 de agosto, em uma carta enviada ao Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz e ao Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos instituiu o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, a ser celebrado todo dia 1º de setembro de cada ano, assim como ocorre na Igreja Ortodoxa. São palavras do Papa: “Queremos oferecer a nossa contribuição para a superação da crise ecológica que a humanidade está vivendo. Por isso devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação, lembrando sempre que para aqueles que crêem em Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem por nós, ‘a espiritualidade não está desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia’. A crise ecológica nos chama, portanto, a uma profunda conversão espiritual: os cristãos são chamados a uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as conseqüências do encontro com Jesus. De fato, ‘viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa”.
A convocação e a proposta foram feitas. De todos nos, cristãos e cristãs conscientes, espera-se uma resposta entusiasmada na organização de celebrações que sejam de fato momentos fortes de oração, reflexão, conversão a um estilo de vida coerente com o que realmente cremos.


PASCOM
Pastoral da Comunicação
Cornélio Procópio/PR

Jornalista Paulo Bueno

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Postado por: Blog Congotícias
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